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Porque é necessária a filtragem

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Porque é necessária a filtragem

Mensagem por Aquaristas em Dom Jul 06, 2014 9:05 am



Por vezes esquecemo-nos de que um peixe metido num aquário está confinado a uma muito pequena quantidade de água, comparada com a do seu habitat natural. Na natureza, os dejectos dos peixes são rapidamente diluídos. Mas, num aquário, esses produtos podem crescer depressa para níveis tóxicos.

Esses produtos poluentes incluem amónia libertada pelas guelras, dejectos e ainda restos de alimentos. Os alimentos e os excrementos decompõem-se libertando amónia. Mesmo em pequenas quantidades, a amónia é mortal para os peixes.

Obviamente, quantas mais fontes de poluição, tanto mais rápido e maior é o problema da amónia. Um pequeno aquário com muitos peixes grandes sobrealimentados terá muito mais amónia do que um aquário grande com pequenos peixes alimentados correctamente. Mas, em qualquer dos casos, é necessário um sistema de filtragem para controlar a amónia.

Alguns aquariofilistas tentam controlar os níveis de amónia recorrendo unicamente a mudanças de água. Esse sistema ajuda, mas não é prático devido à necessidade de mudanças frequentes e volume de água das mudanças.

Felizmente, existe um processo mais fácil! De facto, o mundo está cheio de bactérias que não precisam mais do que consumir a amónia e convertê-la em substâncias menos tóxicas. Para muitos aquariofilistas, este processo ocorre sem o seu conhecimento ou ajuda. Contudo, os mais interessados aprendem a tirar vantagem dessas bactérias benéficas maximizando o seu crescimento.

Quando se começa com um novo aquário, há que dar tempo e possibilidade às bactérias de se estabelecerem. Durante um período de várias semanas, esse novo aquário é perigoso para os peixes. Deve-se começar com o aumento gradual da produção de amónia, i.e., começar só com um ou dois peixes pequenos, para se dar tempo ao crescimento das bactérias. A esse período dá- se o nome de ciclo.

De lembrar que as bactérias transformam a amónia em outras substâncias (primeiro nitrito e depois nitrato) que são menos tóxicas mas não atóxidas. Muitos peixes podem suportar elevados níveis de nitratos mas, com o decorrer do tempo, os nitratos também se tornam tóxicos. Acresce que os nitratos são fertilizantes e elevados níveis de nitratos podem dar origem a um crescimento excessivo de algas.


Mudanças de água

Embora haja vários processos de remover o excesso de nitratos, o mais efectivo é o de mudar regularmente uma parte da água. Este é um dos pontos mais importantes e tantas vezes negligenciado, da manutenção do aquário.

A frequência das mudanças e a quantidade de água a mudar dependem da carga de poluição do aquário e da sensibilidade dos peixes nele a viver. Não se pode mudar TODA a água em qualquer altura porque a alteração química resultante causa stress aos peixes. A melhor maneira de decidir quando e quanto se deve mudar de água, é pelo controlo da qualidade da água, com testes. Quando o aquário é novo, no mínimo, deve ser medido o nível de amónia e talvez o de nitrito. Quando se trata de um aquário já em funcionamento, deve-se medir periodicamente o nível de nitratos. Os testes da água constituem o processo mais fiável de verificar o comportamento da filtragem.

Para um aquário vulgar, não se deve mudar mais de que 1/3 da água em 24 horas. Muitos aquarifilistas mudam 1/4 da água de duas em duas semanas. Mas cada aquário é um aquário e o processo mais seguro é o de medir o nível de nitratos, para estabelecer um mapa de mudanças.


Filtragem biológica


Filtragem biológica é o termo aplicado à ajuda que se pode dar para que as colónias de bactérias transformadoras da amónia se desenvolvam. É tão importante para a saúde do aquário, que devemos estudar mais detalhadamente como se processa. (Existem outros tipos de poluição que podem causar problemas, mas a mudança parcial e regular de água também os evita).

A Mãe Natureza fornece vários tipos de bactérias que transformam a amónia em compostos progressivamente menos tóxicos. Primeiro as nitrosomonas transformam a amónia em nitritos, depois as nitobactérias transformam os nitritos em nitratos. Ambas estas bactérias não implicam qualquer perigo e são muito abundantes na natureza. São tão abundantes que não há necessidade de as introduzir no aquário. A natureza fá-lo por nós.

Na presença de amónia e oxigénio, essas bactérias multiplicam-se naturalmente, fixando-se nos vidros e equipamento do aquário, rochas, areão e até nos objectos decorativos. Note-se que não falámos ainda na filtragem física, porque a filtragem biológica requer somente:

- Uma superfície de fixação
- Amónia como alimento
- Água rica em oxigénio

Isto parece muito simples; então porque precisamos de uma filtragem física?
Na realidade, se limitarmos o número de peixes ao que a filtragem biológica pode comportar e resolver, não necessitamos de uma filtragem física. Infelizmente, não é possível ter vários peixes num aquário só com a filtragem biológica.

Nas últimas décadas, o aquariofilista tem visto aparecer muitos novos tipos de filtros biológicos, concebidos para aumentar o mais possível a capacidade de fixação da colónia de bactérias, para estas poderem satisfazer as necessidades do aquário. Essencialmente todos estes tipos de filtros têm em vista proporcionarem uma maior superfície de fixação das colónias com um respectivo aumento de oxigénio dissolvido na água.


Filtragem mecânica (física)


Lembremo-nos de que a amónia vem directamente das guelras dos peixes e também da decomposição dos dejectos e restos de comida. Se pudermos filtrar mecanicamente esses produtos (partículas sólidas) antes da sua decomposição adiantamos um passo. Isto, não mencionando já, que esses produtos estragam a beleza de um aquário.

Em poucas palavras, a filtragem física é a retenção num filtro das partículas sólidas em suspensão na água do aquário. A filtragem física não remove directamente a amónia dissolvida na água, nem qualquer outro produto dissolvido. As matérias filtrantes mais vulgares não retêm bactérias e algas, nem quaisquer sólidos fixados no areão, plantas ou decorações.

É necessário recorrer a outros processos para remover essas partículas sólidas. Um dos mais fáceis é o de aspirar o areão quando se faz a mudança periódica da água. (Note-se que aqueles aquários de água salgada que usam "substractos vivos" são uma excepção). Alguns aquariofilistas instalam bombas de circulação, conhecidas por bombas de ondas, para aumentarem a possibilidade das partículas sólidas serem captadas pelo filtro.

As quatro mais vulgares matérias de filtragem física são a esponja, cartuchos de celulose, fibras soltas e fibras agregadas em cartuchos, sendo as fibras laváveis até certo ponto (NT.1). Os cartuchos de fibras agregadas e os de celulose proporcionam uma filtragem mais fina e as esponjas e fibras soltas, a menos fina.

Quanto mais pequenos os poros da matéria filtrante, mais fina a filtragem mas também mais rápida a colmatagem. Outra regra básica é a de que quanto maior a superfície filtrante mais lenta a colmatagem, por outras palavras quanto maior for o filtro, mais espaçada é a sua limpeza ou substituição. Consoante a matéria filtrante se for enchendo de partículas, mais apertada vai sendo a passagem e portanto as partículas retidas cada vez vão sendo mais pequenas, até que a água deixa de passar.

EM RESUMO: Um bom filtro mecânico é aquele que retém suficientes partículas para manter a água limpa, sem colmatar rapidamente.

NT.1- Na prática está verificado que cada lavagem de uma matéria filtrante reduz a sua eficiência em 20%,i.e, após cinco lavagens, a matéria está inutilizada.


Filtragem química



Em poucas palavras, a filtragem química é a remoção de poluentes dissolvidos na água. Esses poluentes existem a nível molecular e podem dividir-se em duas categorias: polares e não polares. O método mais comum de filtragem química é a utilização de carvão activado, que é mais eficiente com os poluentes não polares (embora retenha também os polares).Outro método eficiente é o da utilização de escumadores, os quais removem os poluentes polares, tais como produtos orgânicos dissolvidos.

O carvão activado granulado (GAC) é fabricado a partir de carvão vegetal aquecido na presença de vapor a alta temperatura. Este processo provoca a formação de inúmeros pequenos poros, os quais retêm poluentes não polares a nível molecular por adsorsão e troca de iões e removem metais pesados e/ou moléculas orgânicas, as quais são fonte de cores e odores indesejáveis.

O melhor carvão activado para filtragem de água é o vegetal com macroporos (poros grandes). Um bom carvão desse tipo é menos denso e "sibila" e flutua quando em contacto com a água pela primeira vez. O carvão activado para remover os odores da poluição atmosférica é feito com casca de coco e é microporoso (poros microscópicos). É um carvão mais denso.

Alguns aquariofilistas (especialmente os dedicados aos aquários de recife) preocupam-se com a libertação de fosfatos pelo carvão activado. Recomendamos a compra de carvão produzido por reputados fornecedores de produtos para aquário, que durante o fabrico minimizam o conteúdo de cinzas pela lavagem do carvão com soluções ácidas. Os carvões com baixo teor de cinzas também têm menos possibilidade de alterarem o pH, além da menor libertação de fosfatos.

Os fosfatos existem no carvão activado pela simples razão de esse carvão ter sido originalmente matéria vegetal viva. Toda a matéria viva é rica em fosfatos. A sua libertação é mais elevada inicialmente e tende a diminuir com o tempo. Portanto o problema pode ser significativamente minimizado se o carvão for posto em água durante umas semanas, antes de ser usado no aquário.

Outros aquariofilistas preocupam-se com a remoção de elementos raros feita pelo carvão e que são necessários ao crescimento de plantas e de invertebrados. Esses elementos raros são um problema em aquários com plantas e em mini-recifes, com ou sem uso do carvão. Mas os benefícios potenciais do uso do carvão no seu conjunto superam as desvantagens. Se o problema da diminuição de elementos raros for uma preocupação deve ser usado um suplemento desses elementos em conjunção com o carvão.

O carvão activado só pode ser recuperado em laboratório mas, felizmente, é suficientemente barato para poder ser usado sem a preocupação de reutilização. Deve ser sempre lavado antes da utilização para remover poeiras acumuladas durante a operação de embalagem e transporte. Chama-se a atenção sobre as quantidades a usar, mas pequenas porções mudadas com maior frequência parecem dar melhores resultados. Como experiência, meia chávena por cada 75 l de água é o ponto de começo recomendado. Em resumo, o carvão é uma excelente e barata matéria filtrante, vivamente recomendada para todos os aquários.

Existe uma variedade de produtos para a filtragem química especialmente criados para remover determinados produtos. Um dos mais comuns é obtido da argila zeolite (também usada em gravilhas para caixotes dos gatos). Existem vários nomes desse produto no mercado como "Amo-Carb". Estes produtos removem a amónia da água e são bons para uso em curtos períodos. O aquariofilista deve saber que se usar zeolite, especialmente no ciclo de um novo aquário, o estabelecimento da filtragem biológica pode ser atrasado ou mesmo interrompido.

Os escumadores de proteínas são fundamentalmente usados em aquários de água salgada, particularmente nos de recife. Têm uma especial e notável capacidade de remover matéria orgânica dissolvida antes que se decomponha. O processo baseia-se em tirar vantagem da natureza polar das moléculas orgânicas causar a sua atracção para a superfície das bolhas de ar injectadas numa coluna de água. A espuma resultante é retirada mecanicamente e eliminada.


Contributo de Bruce Hallman
Tradução de Fernando Fonseca
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